Fake news : naked fews

Ignição Gerador | Sala do Senado da Reitoria da Universidade de Lisboa | 2 fevereiro 2019
Teatro Municipal Amélia Rey Colaço | 12 e 13 abril 2019
Festival Internacional de Teatro de Setúbal | 22 agosto 2020

A mentira ganhou uma importância vital nos media e em última análise, em toda a sociedade. O valor dado à mentira é superior àquele que é atribuído à verdade, contornando inegavelmente o significado de cada uma das palavras. O fenómeno não é novo, a mentira nasceu connosco, a Humanidade evoluiu omitindo acontecimentos, manipulou para que tudo fosse possível.

Fake News : Naked fews é um encontro entre a verdade e as fake news, o extremo evento que condiciona o quotidiano, que vota pelos eleitores, que pensa por um país. A mentira é antiga, mas o dispositivo é novo, agora comunicar entre os antípodas é instantâneo, não estamos no século das cartas e das respostas que demoram meses, não estamos no século do terramoto que tomamos conhecimento bastante tempo depois. Estamos no século do imediato. O dispositivo é perigoso.

Em Fake News : Naked fews três pessoas convocam o público para uma assembleia secreta, onde a fronteira entre a mentira e a verdade é tão frágil que até a própria identidade é colocada em causa. É urgente cortar radicalmente o contacto com o exterior para que as palavras sejam reais. Dois dos detetives problematizam com o público o sentido das palavras, a essência ou a necessidade humana de desvirtuar, esse vício inaudito de procurar outra realidade. O terceiro detetive dialoga musicalmente com a assembleia, ele é uma baleia que espalha na profundidade a frequência exata do disfarce. Os três criam as Naked fews para pôr a nu quem se veste de mentiras.

Texto e encenação | Ricardo Cabaça
Com Daniela Rosado, Márcia Cardoso, Mauro Hermínio e Mário Oliveira
Música | Mário Oliveira
Design de iluminação | Carolina Caramelo
Movimento | Pedro Filipe Mendes
Vídeos | João Pedro Barriga
Design | Francisco Sá
Produção | 33 Ânimos