Corpo futuro

XX. Festival Internacional de Teatro de Setúbal | 25 de agosto 2108

Ginásio da Escola Secundária Sebastião da Gama

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Corpo futuro é uma interpretação da História de Arte para perceber a forma como a mulher foi representada na arte, desde a sua origem até hoje, na maioria das aparições a sua importância não ultrapassou a figura de musa, sendo retratada sempre pelos homens: perfeita, bela e submissa.

Por que razão a mulher esteve afastada da criação? Dos centros de decisão? Do poder? Este espetáculo reflete sobre alguns dos ícones femininos da literatura universal, como Penélope, na procura de respostas alternativas às suas ações. Questinamos que a mulher tenha sido uma submissão voluntária ou alguém sempre disponível para servir uma sociedade masculina. Acreditamos em possibilidades mais concretas e serão essas que partilharemos em palco: Penélope nunca esperou por Ulisses, simplesmente não se interessou por nenhum dos pretendentes.

Procuramos respostas para perguntas que não foram feitas, porque a beleza da mulher é mais instigante que o seu intelecto e por isso as perguntas foram silenciadas ao longo dos séculos. À sociedade patriarcal convinha ter uma mulher calada com um sorriso enigmático, um sorriso doce. A concorrência podia derrubar o poder masculino.

Por outro lado, interessa-nos problematizar o presente e trazer para o palco a realidade de todos os continentes, abrindo ainda mais a ferida que não cicatriza em nenhuma delas: as escravas sexuais do Estado Islâmico ou as crianças raptadas pelo Boko Haram; a hierarquia masculinizada católica; o feminismo negro como resposta a duplas agressões.

A nossa linguagem caracteriza-se pela multiplicidade, por isso queremos percorrer países e quotidianos distantes, das violações na índia ou no Brasil, da violência doméstica e de género, da falta de equidade. Trazemos para a cena a transexualidade num quadro poético e de recusa de normatividade.

O nosso foco desloca-se também para o futuro, onde queremos ensaiar uma sociedade onde a noção de homem e mulher é anacrónica.

Corpo futuro é um espetáculo onde uma atriz tem a força e as vozes de todas as mulheres que gritam ou sussurram, de todas as mulheres que venceram, de todas as mulheres que jamais serão esquecidas.

Texto e encenação | Ricardo Cabaça

Com Erica Rodrigues e MAGO

Música MAGO

Design de luz Carolina Caramelo

Produção 33 Ânimos

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