28 batidas

Centro Cultural da Malaposta | 5 de março 2017 | 16h

 

28-batidas
fot. Achille Le Pera

Giuseppe ganhou os Jogos Olímpicos e destruiu a sua vida com o doping.
Em frente ao médico que confirma o teste positivo, Giuseppe inicia uma confissão e abre-se a si mesmo para a verdade. E a verdade investiga os seus sonhos, as suas necessidades, o ódio e o amor que ele sempre sentiu pelo desporto.
É uma verdade autodestrutiva, mas ao mesmo tempo criativa, uma benção que faz Giuseppe descobrir que o doping é o único caminho para se realizar a si mesmo e que abruptamente rejeita todas as coisas que nunca possuiu ou tenha pedido.
A verdade vibra nas suas batidas cardíacas e flui no seu próprio sangue. Isso muda e modela o seu corpo. Tal qual o desporto.
O corpo é uma obsessão.
As nossas aspirações, os nossos sonhos, sucessos e fracassos, tudo passa pelo corpo.
É como se tudo fosse feito para nós. E sobretudo para quem trabalha o seu corpo. Atores, por exemplo, ou atletas.
Mas o que acontece quando o corpo começa a parar de ser ele próprio e passa a ser um objetivo? Até onde podemos intervir no nosso corpo? Para ganhar uma competição. Para permanecer jovem. Para ser ainda mais bonito.
Qual é o limite que não deve ser ultrapassado para continuarmos a ser realmente nós próprios? No desporto o limite é o doping.
Para um atleta o doping é a nova fronteira para a obsessão do corpo.
28 batidas começa a partir daqui. Da obsessão de um atleta pelo seu próprio corpo.
Ele toma doping pela primeira vez como uma forma fácil de vencer novamente, depois o pesadelo. Finalmente, como a única possibilidade de renascer.
O doping conduz o atleta à destruição do seu corpo, da sua carreira, de tudo aquilo que ele construiu.
De uma certa forma é uma rebelião. Optando pelo doping, o atleta encontra a força para se livrar de tudo aquilo que nunca quis.
Através dos seus erros, o atleta é capaz de se redefinir, a sua alma, a sua vocação, o seu verdadeiro talento: encontrar no desporto a única maneira de estar em contacto com a sua própria natureza, com aquilo que ele é realmente.
Sem expetativas, vitórias, medalhas.

APRESENTAÇÕES JÁ REALIZADAS

Teatro India (Roma)

Ficha artística e técnica 

Texto | Roberto Scarpetti
Encenação e tradução| Ricardo Cabaça
Interpretação | Marco Trindade
Assistência de encenação | Daniela Rosado e Elisabete Pedreira
Operação de som | José Pedreira
Fotografia | Ricardo Cabaça
Produção | 33 Ânimos

 

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